Novo Chevrolet Camaro: prova de força
Com esportivo, GM agrega arrojo à marca e evidencia sua recuperação financeira
A chegada do Chevrolet Camaro ao mercado brasileiro é emblemática para a General Motors em dois sentidos. Com produtos compactos, sedãs e projetos bastante datados no mercado brasileiro, a vinda de um “muscle car”, com muitos números sob o capô e um visual arrojado, é uma bem-vinda valorização da esportividade da marca Chevrolet. Além disso, o modelo é um ícone da indústria autombilística norte-americana e mostra potencial tecnológico desenvolvido lá fora, o que serve para atestar que os tempos nebulosos da concordata da matriz da GM ficaram para trás. Dentro deste cenário, o Camaro SS começa a ser vendido no Brasil com bons argumentos. A começar pelo “convincente” motor V8 6.2 litros que oferece nada menos que 406 cv de potência a 5.900 rpm e um rotundo torque máximo de 56,7 kgfm a 4.600 giros. A unidade de força trabalha com uma caixa automática de seis velocidades, com mudanças sequenciais através de “paddle shifts” – alavancas atrás do volante. Suspensão independente Multilink na frente e atrás e freios Brembo completam um conjunto mecânico que esbanja esportividade. No visual, esse apelo fica ainda mais claro. Esta quinta geração do Camaro resgata as origens do design, com bastante saliências e músculos na carroceria. Na frente, o conjunto ótico fica espremido entre o capô e o para-choque, e recuado em relação à bicuda grade frontal xadrez com a gravatinha da Chevrolet. Os faróis também são cobertos pelo capô proeminente. Na ponta dele, um filete faz as vezes de tomada de ar e dá início a uma protuberância que cresce bem ao centro do capô. Visto de perfil, o Camaro ostenta linha de cintura elevada, janela espia e caimento quase “ondulado” da terceira coluna. Na traseira, o desenho frontal serve de inspiração para as lanternas horizontalizadas, mais uma vez “recuadas” em relação ao aerofólio na tampa do porta-malas e ao para-choque com seções bem definidas. Por dentro, mais referências arrojadas. Volante em três raios, painel frontal elevado e mostradores do conta-giros e do velocímetro em molduras quadradas e proeminentes. Na parte de equipamentos de segurança, o Camaro SS chega com seis airbags, freios com ABS, sensores de pressão dos pneus e de obstáculos traseiros e controles de estabilidade – que pode ser desabilitado ou ir para um nível mais permissivo. O modelo conta também com head-up display, que exibe informações digitais do velocímetro refletidas no para-brisa. O som é da Boston Acoustics e há iluminação em leds nas portas, além do esperado revestimento em couro e de itens como ar, direção hidráulica e trio. Todo este arrojo, é claro, tem um preço. E bem salgado. O Camaro chega por R$ 185 mil. É carro para poucas garagens brasileiras e também ainda sem nenhum rival de fato. Isso porque a Ford não importa oficialmente o Mustang GT e a Dodge só vai trazer o Challenger no primeiro semestre do ano que vem. Até lá, GM vai ficar sozinha na pista dos “muscle cars”. Ponto a ponto Desempenho – O motor V8 empurra o Camaro com força e vontade. Basta pisar no acelerador que os 406 cv garantem arrancadas espertas e ágeis. O câmbio automático bem escalonado – com as primeiras relações relativamente curtas – reforça a agilidade indispensável ao carro deste porte. A GM promete um zero a 100 km/h em 4,8 segundos e máxima é limitada eletronicamente em 250 km/h. Nota 9. Estabilidade – O jogo de suspensão eficiente e os dispositivos de segurança, como o ESP, garantem o bom comportamento dinâmico do “muscle car”. Mesmo quando é agressivo em curvas, o Camaro torce pouco e não faz menção de desgarrar. A 140 km/h na única reta do test drive, a comunicação entre rodas e volante se mostrou firme. Nota 9. Interatividade – Carros esportivos geralmente não se saem bem neste aspecto e o modelo da Chevrolet não foge à regra. A visibilidade traseira e lateral é bastante limitada e o motorista ainda tem de se acostumar com o painel frontal, bastante elevado. O volante de três raios, contudo, tem boa pegada e a direção é precisa e firme para privilegiar a esportividade. Alguns comandos do som e do ar são pouco intuitivos. Em compensação, o Camaro oferece ajuste elétrico para os bancos. Nota 7. Consumo – A GM fala em média de 8,2 km/l em ciclo misto. Nota 7. Conforto – Outro ponto delicado em “muscle cars” e esportivos em geral. O espaço para pernas é regular, assim como vão para cabeças. Os bancos de trás, obviamente, são quase cenográficos pois mal cabe um adulto. No entanto, os bancos frontais são largos e abraçam o motorista e o carona. E o ronco do motor V8 é escutado dentro do habitáculo na “altura” certa. Nota 7. Tecnologia – A quinta geração do Camaro foi lançada em 2008. Usa uma plataforma moderna, adaptada do Omega australiano, suspensão independente por braços múltiplos na frente e atrás, um competente V8 e uma transmissão cheia de recursos e bem acertada. Na segurança e conforto, oferece itens mais que obrigatórios para um carro de R$ 185 mil. Nota 9. Habitabilidade – A altura reduzida do Camaro dificulta o acesso ao interior, principalmente para quem vai se aventurar no banco de trás. Há alguns práticos porta-objetos e o porta-malas abriga razoáveis 320 litros. Nota 6. Acabamento – O revestimento em couro do Camaro, com costuras pespontadas, é impecável e as forrações do interior demonstram cuidado e bom gosto. Os detalhes em aço escovado reforçam a boa atmosfera a bordo e os encaixes e fechamentos beiram a perfeição. Nota 9. Design – É um genuíno “muscle car”, que mistura muito bem arrojo, robustez e agressividade. A carroceria musculosa, as caixas de rodas largas e o capô comprido e protuberante são apenas alguns destaques. Nota 9. Custo/Benefício – Um carro de R$ 185 mil está longe de ser uma compra racional, ainda mais no Brasil. É o preço para desfilar um ícone norte-americano pelas ruas e desfrutar, em raras ocasiões, dos 406 cv do motor. Nota 6. Total – O Camaro SS somou 78 pontos em 100 possíveis. Primeiras impressões: rápido e rasteiro Em um test drive com circuito travado, repleto de cones, no Campo de Provas de Cruz Alta, em Indaiatuba, no interior de São Paulo, o Chevrolet Camaro SS mais parece um cavalo de corrida em um celeiro em chamas. Mas deu para perceber toda a disposição reservada pelo motor V8 e seus generosos 406 cv de potência. Um leve toque no pedal do acelerador e os giros do “muscle car” sobem freneticamente. Câmbio em “drive”, o Camaro é só alegria. As acelerações são vigorosas. Na única e limitada reta do percurso, o head-up display informa 148 km/h, enquanto a máxima prometida é de verossímeis 250 km/h. Sem condições de ir além, pelo menos foi possível conferir as retomadas, quando os 56,7 kgfm de torque dão conta de encher o motor com destreza e rapidez. Nas curvas mais fechadas e no slalom, o Camaro se mostrou no chão. Fruto de uma rigidez torcional muito alta e de uma suspensão bem calibrada, que privilegia a esportividade e ajuda no equilíbrio do carro. Mesmo ao abusar em um trecho mais fechado, é possível sentir o controle de estabilidade e de tração entrando em ação e “segurando” o carro, para evitar sustos. E dentro do Camaro, a sensação é a de estar em um esportivo mesmo. A direção precisa e firme tem boa pegada e ótima comunicação com as rodas. Os pedais são rígidos, sem serem desconfortáveis, e os bancos esportivos acomodam muito bem o motorista. Uma atmosfera que faz o condutor esquecer dos percalços de se ter um esportivo, como espaço limitado para pernas, suspensão mais dura para buracos e visibilidade prejudicada pelas imposições do design de um “muscle car”. Nada que não fique para trás quando se ultrapassa os 120 km/h. E continua acelerando, acelerando...